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Baía da Babitonga vira laboratório a céu aberto para salvar uma das populações mais ameaçadas de golfinhos do mundo

Baía da Babitonga vira laboratório a céu aberto para salvar uma das populações mais ameaçadas de golfinhos do mundo
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Pequena, discreta e quase invisível aos olhos de quem navega pelo litoral, a toninha (Pontoporia blainvillei) trava uma verdadeira batalha pela sobrevivência no Norte de Santa Catarina.

É na Baía da Babitonga que se encontra a única população residente conhecida da espécie em todo o planeta, um grupo reduzido a cerca de 50 indivíduos que transformou a região em um laboratório a céu aberto para a ciência.

No dia 1º de outubro é celebrado o Dia Internacional da Toninha, e o PMP-BS/Univille (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos) reforça a importância do acompanhamento desses animais para evitar que desapareçam.

Considerada um dos cetáceos mais ameaçados do Atlântico Sul Ocidental, a toninha vive exclusivamente em águas costeiras rasas.

Com no máximo 1,60 metro de comprimento e um focinho longo e fino característico, a espécie enfrenta um inimigo silencioso: a proximidade com as atividades humanas.

A ameaça invisível nas redes de pesca

A principal causa do declínio populacional da espécie é a captura acidental em redes de pesca de emalhe. Ao buscar alimento perto da costa, as toninhas ficam presas aos equipamentos e acabam morrendo por afogamento.

O cenário é agravado pela biologia do próprio animal:

  • Reprodução lenta: as fêmeas geram apenas um filhote a cada dois ou três anos.
  • Reposição difícil: a perda de um único adulto tem impacto devastador na manutenção da espécie.
  • Status crítico: desde 2014, a toninha consta na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como Criticamente em Perigo.

Somente entre janeiro e setembro de 2026, 68 toninhas foram encontradas mortas no litoral norte catarinense, segundo dados do PMP-BS/Univille.

O histórico acumulado revela a gravidade do problema: de 529 animais registrados desde 2019, apenas quatro foram resgatados com vida.

Espécie ameaçada de extinção, nesta quinta-feira, 1º de outubro, é celebrado o Dia Internacional da ToninhaFoto: Divulgação/PMP-BS/Univille/ND MaisEspécie ameaçada de extinção, nesta quinta-feira, 1º de outubro, é celebrado o Dia Internacional da ToninhaFoto: Divulgação/PMP-BS/Univille/ND Mais

O caso “Diva”: um milagre da reabilitação marinha

A raridade de um resgate bem-sucedido torna histórias como a de Diva um marco para a conservação. Encontrada debilitada em São Francisco do Sul, a toninha passou por 16 dias de cuidados intensivos na Unidade de Estabilização da Univille, envolvendo uma força-tarefa de veterinários, pesquisadores e voluntários.

A soltura do animal no mar devolveu à natureza não apenas um indivíduo, mas uma oportunidade preciosa de manter viva a variabilidade genética da população da Babitonga.

Duas décadas de ciência na linha de frente

Há mais de 20 anos, o Projeto Toninhas do Brasil (desenvolvido pela Univille em parceria com a Petrobras) utiliza técnicas como a fotoidentificação, onde marcas na nadadeira dorsal funcionam como uma impressão digital para mapear e monitorar cada habitante da baía.

A conservação, no entanto, ultrapassa os limites da pesquisa acadêmica. Proteger a toninha exige um esforço integrado entre cientistas, pescadores e comunidades locais para garantir que a navegação, o turismo e a pesca artesanal possam coexistir com o ecossistema marinho.

Na Baía da Babitonga, cada observação conta. Descobrir por onde esses animais circulam e como vivem é, hoje, a ferramenta mais poderosa que a ciência possui para evitar que o menor golfinho do Brasil desapareça em silêncio.

Fonte: ND+

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Trajano Xavier

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