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Kakapo escapam, por enquanto, da ameaça das superbactérias

Kakapo escapam, por enquanto, da ameaça das superbactérias
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O raro papagaio Kakapo, natural da Nova Zelândia e conhecido por ser a única espécie de papagaio incapaz de voar, tem conseguido escapar, até agora, ao desenvolvimento de perigosas superbactérias resistentes a antibióticos. Esta descoberta surge apesar do uso frequente de antibióticos no tratamento de uma doença debilitante que afeta a espécie, popularmente apelidada de “crusty bum” (algo como “rabo crostoso”).

De acordo com um novo estudo liderado pela Universidade de Auckland, embora se tenham identificado algumas bactérias potencialmente resistentes no sistema digestivo destes papagaios, a origem poderá ser natural. Isso significa que o uso criterioso de antibióticos pode, para já, continuar sem causar impacto negativo significativo.

A investigação, publicada na revista científica Frontiers in Microbiology, foi conduzida pela doutoranda Natalie Ayriss e pelo professor Mike Taylor. A equipa estudou amostras recolhidas de Kakapo em duas ilhas ao largo da Nova Zelândia e acompanhou de perto um exemplar macho, conhecido por “Joe”, que estava a ser tratado com antibióticos.

Os resultados são, para já, animadores: não foram observadas consequências negativas associadas ao uso dos medicamentos. No entanto, os investigadores alertam para os riscos futuros. Com uma população extremamente reduzida — cerca de 240 indivíduos — qualquer ameaça, incluindo a introdução de bactérias resistentes provenientes de outras aves ou mesmo de humanos, pode ter consequências graves.

O Kakapo é uma ave verdadeiramente singular. Com cerca de 4 quilos, é o papagaio mais pesado do mundo. Apesar de não voar, sobe com agilidade às árvores utilizando as garras e o bico. Habita quatro ilhas protegidas e a reserva de Maungatautari. Tem ainda um comportamento de reprodução raro entre os papagaios: os machos reúnem-se em locais específicos onde realizam elaboradas exibições para atrair as fêmeas — um sistema conhecido como reprodução “lek”.

A vigilância contínua será essencial para garantir que esta espécie única continue a prosperar, livre da ameaça crescente que representam as superbactérias.

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Trajano Xavier

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