Os ruídos produzidos pelos humanos podem alterar a forma como os animais selvagens se comportam na Natureza, afastando-os de certas áreas em que a nossa presença seja mais intensa. Mas todas as regras têm a sua exceção.
Dois investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, descobriram que os esquilos-cinzentos (Sciurus carolinensis) parecem sentir-se mais seguros em locais onde o ruído de estradas nas imediações se mantém consistentemente alto.
Num artigo publicado recentemente na revista ‘Oikos’, a dupla sugere que os esquilos, quando nas suas buscas diárias por alimento, se sentem mais seguros em locais onde haja maior presença humana, pois entendem que tal significa menos predadores.
“Os resultados destacam as complexas escolhas que os esquilos enfrentam em ambientes urbanos ao equilibrarem os riscos e os benefícios associados à convivência com os humanos”, dizem os investigadores. Assim, embora seja arriscado movimentarem-se perto de estradas, correndo o perigo de atropelamento, os esquilos parecem sentir que o risco compensa a proteção face aos seus predadores, que tenderão a evitar essas infraestruturas humanas.
Com base no estudo, os esquilos parecem consumir mais alimentos em locais perto de estradas movimentadas com um ruído constante de carros a passarem. Contudo, apontam os cientistas, se o barulho do trânsito for irregular (indicando uma presença humana menos intensa), esses roedores sentem-se menos seguros, ingerindo menores quantidades de alimento.
“Estes resultados parecem contraintuitivos, mas mostram que, embora as estradas possam representar um risco de atropelamento por veículos, os esquilos que vivem perto delas parecem perceber que o risco de serem capturados por predadores é menor, se o ruído da estrada for constante”, explica, em comunicado, Kristin Thompson, primeira autora do artigo.
“Esta capacidade para navegarem riscos complexos exemplifica a razão pela qual os esquilos-cinzentos são tão bem-sucedidos em espaços urbanos”, acrescenta.
A equipa considera que este é um caso “paradoxal” do impacto das atividades humanas na vida selvagem e diz que são precisos mais trabalhos de investigação para perceber ao certo como é que a vivência em contextos humanos afeta outros aspetos da vida dos esquilos-cinzentos, como a reprodução e a sobrevivência.