Nike e PUMA abandonam o couro de canguru em favor de materiais livres de origem animal
Os anúncios sinalizam uma nova era na ética corporativa e no poder da ação coletiva.
Nas últimas duas semanas, as principais marcas de vestuário esportivo, PUMA e Nike, anunciaram que irão eliminar gradualmente o uso de peles de canguru em seus produtos até o final de 2023, em favor de materiais não derivados de animais. Essa mudança é uma grande vitória para nossos preciosos cangurus nativos e uma prova do progresso na indústria da moda e têxtil.
UM GRANDE SALTO PARA A ESPÉCIE MAIS ICÔNICA DA AUSTRÁLIA
A matança de cangurus para obtenção de sua pele é o maior abate comercial de mamíferos selvagens terrestres do planeta, com uma estimativa de 90 milhões de animais abatidos nos últimos 30 anos. Além disso, estima-se que até 40% dos tiros não sejam fatais de imediato, deixando os cangurus para morrerem de forma lenta e dolorosa ou ficarem permanentemente mutilados.
Em vez de serem reverenciados e protegidos como ícones da Austrália, os cangurus são caçados em seus habitats naturais por sua carne, que é vendida para consumo humano e de animais de estimação, bem como por sua pele, que é usada em roupas e produtos esportivos.
O PODER POPULAR COMPENSA
De chapéus a sapatos, patins e ração para animais de estimação, além de carne de canguru para atacadistas e restaurantes, a Holanda é um dos maiores importadores.
Para pressionar as marcas que usam pele de canguru em seus produtos, a organização World Animal Protection, na Holanda, pediu a mais de 45.000 amantes dos animais que assinassem sua petição e, pouco depois, as coisas começaram a mudar para melhor.
Em resposta à pressão pública exercida por organizações como a World Animal Protection, a icônica marca de calçados esportivos PUMA se comprometeu a substituir o couro de canguru (K-Leather) por uma alternativa avançada e não animal, o ‘K-Better’, em sua popular linha de chuteiras PUMA KING. A versão redesenhada das icônicas chuteiras PUMA KING é feita de microfibra de nylon contendo pelo menos 20% de material reciclado.
Entretanto, o cabedal sintético exclusivo da Nike, usado na fabricação das novas chuteiras da popular linha Tiempo, é considerado uma “solução de melhor desempenho” do que o couro de canguru.

Poder popular: No sábado, 12 de março de 2022, manifestantes se reuniram em frente a uma loja da Nike em Sydney, na Austrália, como parte de um Dia Global de Ação para chamar a atenção para o uso de couro de canguru em calçados esportivos.
UMA NOVA ERA EMOCIONANTE EM TECIDOS ÉTICOS
No ano passado, no Dia Mundial do Canguru, a World Animal Protection, na Holanda, iniciou uma campanha sem precedentes direcionada a varejistas online locais e lojas de artigos esportivos para que desenvolvessem políticas de bem-estar animal, o que significaria que eles não venderiam mais produtos feitos de couro de canguru. Diversas empresas se comprometeram a abandonar o couro de canguru e a optar por alternativas sem origem animal.
Enquanto empresas globais como a PUMA e a Nike estão inovando e implementando mudanças, outras grandes corporações, incluindo a gigante do calçado Adidas, ainda não fizeram a transição. Essas empresas continuam a explorar cangurus na produção de seus calçados – uma prática totalmente injustificável, dada a acessibilidade e a eficácia comprovada de alternativas avançadas que não utilizam animais .
A crescente mudança para uma alternativa mais humana e sustentável é louvável, e já passou da hora de outras marcas seguirem o exemplo. Usar couro de canguru nos dias de hoje é imperdoável e simplesmente cruel. Trabalhando coletivamente, podemos incentivar mais empresas a eliminar o uso desumano de couro de canguru em seus produtos.

Chuteira KING feita com material não derivado de animais. Imagem: puma.com
ISTO É APENAS O COMEÇO
Existe grande expectativa em relação a quais empresas serão as próximas a substituir o couro de canguru por alternativas livres de crueldade animal. À medida que mais empresas aderem ao movimento, espera-se que outros grandes nomes do setor reconheçam a importância de adotar materiais éticos e sustentáveis.
Embora tenham sido feitos esforços para proteger os cangurus da exploração, inúmeras outras espécies de animais selvagens continuam a sofrer nas indústrias da moda e têxtil. Por exemplo, répteis, como cobras e crocodilos-de-água-salgada australianos, ainda são usados por suas peles para a produção de bolsas de luxo. E milhões de visons e raposas continuam a ser criados em fazendas na Europa, América do Norte e China.
Ativistas e organizações como a World Animal Protection trabalham incansavelmente em campanhas para conscientizar e promover a adoção de alternativas éticas e livres de crueldade animal. Ao darmos continuidade a esses esforços, podemos causar um impacto significativo na vida de inúmeros animais e caminhar rumo a um mundo mais compassivo e sustentável. Juntos, podemos construir um futuro mais gentil.
Imagem principal: Christopher Burns no Unsplash