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Cientistas descobrem novas relações de simbiose entre peixes e anémonas

Cientistas descobrem novas relações de simbiose entre peixes e anémonas
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Num artigo publicado na revista ‘Journal of Fish Biology’, um grupo de investigadores dos Estados Unidos da América revela que as relações entre peixes e anémonas são muito mais diversas do que poderíamos pensar.

Através de fotografias capturadas por mergulhadores em águas marinhas enegrecidas pela noite, os cientistas documentam várias formas de simbiose entre esses dois tipos de animais. Os peixes que protagonizam os encontros registados neste estudo são predominantemente juvenis e tudo indica que usam as anémonas, incluindo no estado larval, para se defenderem de predadores.

Aluterus schoepfii juvenil leva na boca uma larva de um tipo de anémona. Foto: Rich Collins.

Rich Collins, um dos mergulhadores e fotógrafos subaquáticos cujos trabalhos serviram de apoio a esta investigação, diz, em comunicado, que testemunhou “interações surpreendentes” entre pequenos peixes juvenis e organismos urticantes ou tóxicos.

Algumas espécies de peixes juvenis ou ainda em estado larval, vulneráveis a predadores, “usam espécies de invertebrados”, como anémonas, “aparentemente para fins defensivos”, recorda.

O estudo documenta peixes das espécies Aluterus schoepfii e Ariomma regulus e dos géneros Caranx e Brama a nadarem ao lado de ou a segurarem nas suas bocas anémonas, que os cientistas entendem ser uma forma de se protegerem na vastidão oceânica quando não atingiram ainda a idade adulta e não têm ainda a capacidade para escaparem a bocas famintas.

Ainda assim, e apesar das observações, os investigadores dizem que essa relação ainda não é bem compreendida, pelo que são precisos mais estudos para desvendar os seus mistérios.

Seja como for, os autores do artigo sugerem que se poderá mesmo tratar de uma nova forma de relação mutualista (um tipo de simbiose) até agora não cientificamente documentada, em que ambas as espécies beneficiam: os peixes juvenis têm um “guarda-costas” que mantém afastados dos predadores e as anémonas ganham uma “boleia” que lhes permite dispersarem para novos locais.

A equipa espera que estes registos fotográficos ajudem a impulsionar mais investigações sobre tipos de relação simbiótica entre peixes e anémonas que até agora são pouco estudadas e a destacar o importante papel da ciência cidadã nas descobertas científicas sobre a vida nos recantos mais inexplorados dos mares e oceanos do planeta.

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Trajano Xavier

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