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Coreia do Sul dá um passo histórico contra maus-tratos de animais e acaba com criação de ursos para extração de bile

Coreia do Sul dá um passo histórico contra maus-tratos de animais e acaba com criação de ursos para extração de bile
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Em 2026, a Coreia do Sul oficializou uma mudança histórica em sua legislação de proteção animal: o país finalmente colocou fim à criação de ursos para extração de bile, uma prática que vinha sendo cada vez mais criticada por ativistas, especialistas em bem-estar animal e pela própria população.

 O que muda?

A partir de 1º de janeiro de 2026, o governo sul-coreano passou a banir legalmente a criação de ursos, a extração de sua bile e a posse desses animais com essa finalidade. A decisão foi incorporada por meio de alterações nas leis de proteção animal, que agora preveem penas de prisão de até cinco anos para quem descumprir a proibição.

Essa medida encerra oficialmente décadas de exploração de animais — principalmente ursos-negros asiáticos (também chamados de moon bears) — criados em cativeiro apenas para a retirada de sua bile, que vinha sendo utilizada em remédios tradicionais e produtos tidos como benéficos à saúde.

Como isso foi conquistado

O fim dessa indústria não aconteceu do dia para a noite. Foi o resultado de anos de negociação e pressão social, envolvendo:

  • Organizações de proteção animal, que trabalharam por décadas para conscientizar o público e pressionar as autoridades.

  • Acordos entre o governo, associações de criadores e grupos ativistas, iniciados em 2022, que estabeleceram um cronograma para a eliminação gradual da prática até 2026.

  • Mudanças legislativas, com emendas à lei nacional de proteção de vida selvagem, fortalecendo penalidades e proibindo a criação de novos ursos para fins de extração de bile.

 O desafio dos ursos remanescentes

Apesar da alegria pela conquista, cerca de 200 ursos ainda viviam em fazendas no país quando a proibição entrou em vigor. A transição não é simples: muitos desses animais ainda se encontram em cativeiro, e a criação de espaços adequados para sua reabilitação em santuários — com espaço e condições mais naturais — é um desafio em andamento.

Organizações parceiras continuam trabalhando para garantir que esses ursos sejam comprados, retirados das fazendas e encaminhados a unidades de reabilitação ou refúgios, onde possam viver com mais dignidade.

 Um reflexo de mudança cultural

O fim da criação de ursos para extração de bile é mais do que uma alteração legal: ele reflete uma mudança de valores na sociedade sul-coreana, que tem cada vez mais debates sobre bem-estar animal, ética e tradições antigas à luz de práticas modernas.

Esse movimento se soma a outras iniciativas no país — como as legislações para restringir o comércio de carne de cachorro e reforçar normas de proteção animal — demonstrando uma tendência crescente de reformas em prol dos animais.

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Trajano Xavier

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