O genoma da preguiça-de-dois-dedos (Choloepus didactylus) guardava um recorde que só agora veio à tona: com milhares de retrocópias, ela exibe a maior quantidade dessas duplicações gênicas já registrada entre todos os mamíferos estudados.
As retrocópias são como rascunhos genéticos, fragmentos de genes que, por meio de um atalho molecular, voltam a se instalar no DNA. Na maioria das vezes, são sequências inertes. Mas quando encontram um contexto favorável, podem se transformar em novidades funcionais que a evolução aproveita.
Uma equipe internacional com participação decisiva de cientistas brasileiros sequenciou e comparou os genomas da preguiça-de-dois-dedos e do tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), ambos representantes do superordem Xenarthra, o único grupo de mamíferos placentários que surgiu na América do Sul, há mais de 60 milhões de anos.
