Mondelēz anuncia fim dos testes em animais
A Mondelēz International, uma das maiores empresas de alimentos e confeitaria do mundo — dona de marcas como Oreo — confirmou oficialmente que não realiza mais testes em animais.
A companhia informou que deixou de conduzir ou financiar qualquer tipo de experimento com animais voltado à chamada “ciência nutricional”. A decisão vem após anos de pressão liderada pela PETA, que incluiu protestos públicos, a divulgação de um vídeo que ganhou ampla repercussão e cobranças internas por mudanças na política da empresa.
No ano passado, a organização de direitos animais chegou a adquirir ações da Mondelēz para questionar diretamente seus executivos durante assembleias de acionistas, exigindo mais transparência sobre o uso de testes em animais. A campanha contou com o apoio de mais de 63 mil pessoas ao redor do mundo.
Agora, a Mondelēz atualizou sua política oficial sobre o tema em seu site institucional. No texto, a empresa afirma:
“Não realizamos testes em animais, nem financiamos ou contratamos agências externas ou instituições de pesquisa para conduzi-los, exceto nos casos em que tais testes sejam exigidos por órgãos reguladores governamentais e não exista nenhuma alternativa disponível.”
A companhia também reforça seu compromisso com o princípio dos “3Rs” — Substituir, Reduzir e Refinar — e reconhece a necessidade de uma transição mais ampla para métodos alternativos aos testes tradicionais em animais.
“Estamos comprometidos em contribuir para a redução da necessidade de testes em animais e incentivamos nossos fornecedores e instituições de pesquisa a adotarem métodos que não envolvam animais”, declarou a Mondelēz. Ao final do comunicado, a empresa informa que a política entra em vigor a partir de janeiro de 2026.
“Consumidores conscientes não querem sofrimento animal”
De acordo com a PETA, entre os estudos anteriormente apoiados pela Mondelēz estavam experimentos nos quais camundongos eram forçados a ingerir fezes humanas, substâncias químicas e esferas de vidro, antes de serem mortos e dissecados. Segundo a organização, esses testes não eram exigidos por lei e não tinham qualquer impacto na segurança ou na aprovação regulatória dos produtos da empresa.
“Consumidores conscientes não querem que animais sofram em laboratórios quando compram biscoitos e snacks”, afirmou Shalin Gala, vice-presidente da PETA. “A PETA reconhece essa decisão compassiva da Mondelēz e espera que outras empresas sigam o mesmo caminho, deixando os animais em paz.”
A notícia tem um peso especial para consumidores que vinham boicotando os Oreos devido à associação da marca com testes em animais. Embora a formulação do produto geralmente não contenha ingredientes de origem animal — o que levou muitos a classificá-lo como “vegano por acidente” —, a questão ética sempre foi um ponto sensível para parte do público plant-based.
Com essa mudança, a Mondelēz dá um passo relevante em direção a práticas mais alinhadas às expectativas de um mercado cada vez mais atento à ética, à inovação e à responsabilidade corporativa.