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Amsterdã proíbe publicidade de carne e combustíveis fósseis em espaços públicos

Amsterdã proíbe publicidade de carne e combustíveis fósseis em espaços públicos
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Amsterdã acaba de anunciar a proibição de anúncios de carne e combustíveis fósseis em seus espaços públicos. Com a medida, a cidade se torna a quarta dos Países Baixos a adotar esse tipo de restrição — e a primeira capital do mundo a implementar uma política desse alcance.

A partir de 1º de maio de 2026, não será mais permitida a veiculação de publicidade de carne, passagens aéreas, veículos movidos a gasolina ou diesel e contratos de aquecimento a gás em locais públicos da cidade. A regra valerá para trams, trens, ônibus, abrigos de pontos de ônibus, além de estações de metrô e trem.

Anúncios corporativos de empresas com alta pegada de carbono — como campanhas institucionais de montadoras, por exemplo — ainda poderão ser exibidos temporariamente, mas também serão proibidos a partir de abril de 2028.

A decisão foi aprovada pelo Conselho Municipal de Amsterdã, a partir de uma proposta apresentada pelo Partij voor de Dieren (Partido pelos Animais) e pelo GroenLinks (Esquerda Verde). A iniciativa foi bem recebida por organizações da sociedade civil e entidades como a ProVeg, que atuam na promoção de sistemas alimentares mais sustentáveis.

Mesmo diante de uma forte pressão de última hora da JCDecaux — maior empresa de publicidade externa do mundo, com mais de 1 milhão de painéis publicitários em mais de 80 países —, a proposta avançou. A empresa alertou para possíveis impactos financeiros e legais, já que mantém atualmente cerca de 1.500 abrigos de ônibus e outras estruturas urbanas em Amsterdã. Apesar disso, os anúncios corporativos continuarão sendo exibidos até o encerramento do contrato vigente com a prefeitura.

A forte ligação entre publicidade, carne e combustíveis fósseis

Segundo reportagem do DeSmog, a JCDecaux enviou um e-mail a todos os partidos representados no Conselho Municipal alertando que a proibição poderia trazer “consequências financeiras e jurídicas significativas” e comprometer a manutenção de serviços urbanos dependentes da receita publicitária.

Para Anke Bakker, vereadora do Partido pelos Animais e uma das autoras da proposta, a preocupação é infundada. “Estou confiante de que esses espaços poderão continuar sendo ocupados, mas com a divulgação de produtos vegetarianos e livres de emissões”, afirmou.

Ela também destacou que a reação da empresa evidencia “o quanto os combustíveis fósseis e a carne estão profundamente enraizados na indústria da publicidade”. Segundo Bakker, há um amplo apoio da sociedade a políticas que limitem a promoção de produtos prejudiciais ao clima.

Joey Cramer, diretor da ProVeg, reforçou esse ponto ao lembrar que a maior parte das emissões de carbono do sistema alimentar está associada à produção de carne. “Faz sentido que Amsterdã restrinja a publicidade desse tipo de produto como parte de sua estratégia de transformação do sistema alimentar”, explicou. A medida está alinhada à meta da cidade de garantir que, até 2050, 50% da dieta de seus cidadãos seja baseada em vegetais — um avanço positivo não apenas para o clima, mas também para a saúde das pessoas e o bem-estar animal.

Os impactos da publicidade externa

Além de normalizar indústrias altamente poluentes, especialistas e ativistas alertam que a publicidade em espaços públicos pode aprofundar desigualdades sociais, distrair motoristas, prejudicar a fauna, afetar a saúde mental, consumir recursos desnecessários, enfraquecer culturas locais e, na prática, privatizar áreas que deveriam ser coletivas.

Nos Países Baixos, cidades como Utrecht, Delft e Haia já proibiram anúncios de combustíveis fósseis em abrigos de ônibus e outros espaços públicos. Zwolle e Nijmegen também vêm adotando medidas para limitar a divulgação de produtos ambientalmente prejudiciais.

Utrecht e Zwolle, inclusive, avançaram na proibição de anúncios de carne. Em abril, a Justiça holandesa confirmou a legalidade da restrição adotada por Haia, afirmando que a medida está em conformidade com a legislação da União Europeia e atende ao interesse público.

Em 2024, Amsterdã também entrou para a história ao se tornar a primeira capital da União Europeia a endossar oficialmente o Tratado Plant-Based, reforçando seu compromisso com um futuro mais sustentável e alinhado à economia de base vegetal.

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Trajano Xavier

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