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Duas novas rãs-gigantes-de-corredeira são descobertas na Mata Atlântica

Duas novas rãs-gigantes-de-corredeira são descobertas na Mata Atlântica
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Espécies encontradas no Parque Estadual da Serra do Mar medem de 7,5 a 12 centímetros na fase adulta e costumam viver em altitudes de 700 metros acima do nível do mar

No trecho de Mata Atlântica do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), pesquisadores encontraram duas novas espécies de rãs-gigantes-de-corredeira. O registro dos anfíbios está em um estudo publicado em março na revista Systematic and Biodiversity.

dA primeira espécie foi batizada de Phantasmarana curucutuensis, em homenagem ao Núcleo Curucutu do PESM, localizado em Itanhaém e responsável por ajudar a preservar nascentes e mananciais da região metropolitana de São Paulo. Endêmica, a rã representa o limite mais ao sul da ocorrência desse grupo de rãs, segundo a Fundação Florestal, que administra o parque.

A segunda espécie ganhou nome de Phantasmarana tamuia e ocorre nos Núcleos Cunha e Santa Virgínia do PESM, que correspondem aos municípios de Cunha e de São Luís do Paraitinga. Conforme conta Thais Condez, autora do estudo, o termo “tamuia” representa força e resistência, sendo uma palavra derivada da língua Tupi.

“O nome escolhido faz alusão aos povos indígenas que historicamente ocuparam as áreas nas quais a nova espécie foi encontrada”, afirma Condez, em comunicado. “É uma singela homenagem aos Tamoios, povos que lutaram bravamente contra a invasão de seus territórios durante a devastação da Mata Atlântica, no período do processo de colonização.”

As rãs-gigantes-de-corredeira adultas medem entre 7,5 e 12 centímetros e vivem em tocas de riachos em águas cristalinas. As espécies do gênero Phantasmarana costumam ser encontradas somente nesses locais, em altitudes de 700 m acima do nível do mar — é o caso da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira.

Na esquerda, girino da rã-gigante-de-corredeira. Na direita, uma fêmea adulta proveniente do Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar (Foto: Thais H. Condez/ Leo R. Malagoli)
Na esquerda, girino da rã-gigante-de-corredeira. Na direita, uma fêmea adulta proveniente do Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar (Foto: Thais H. Condez/ Leo R. Malagoli)

Especialistas brasileiros procuram por esses anfíbios em áreas de preservação, sendo que algumas expedições foram iniciadas lá trás, em 2007. Ao combinarem as observações com o material de coleções científicas e museus, eles estudaram as proximidades genéticas das espécies do gênero e descobriram algumas até mesmo desconhecidas.

 

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“Com o levantamento de informações genéticas e análise de características anatômicas de rãs adultas e juvenis, foi possível identificar que novas populações encontradas em diferentes porções do Parque Estadual da Serra do Mar correspondiam a espécies novas, que foram agora apropriadamente descritas e reconhecidas pela ciência”, conta Fábio de Sá, zoólogo que liderou o estudo.
A descrição das duas novas criaturas aumenta o número de rãs do grupo para seis espécies. Todas as rãs-gigantes-de-corredeira atualmente resistem à modificação de seu habitat, sobretudo em áreas não protegidas pelas unidades de conservação.

O biólogo Leo Malagoli, autor sênior do artigo e gestor Núcleo São Sebastião do PESM, ressalta a importância dessas áreas preservadas. “A manutenção e expansão de tais áreas protegidas é claramente benéfica não somente às plantas e animais, mas também contribuem fundamentalmente para a preservação das riquezas naturais, que refletem positivamente na saúde e qualidade de vida humana”, diz Malagoli.

Fonte:  Galileu –  Foto: Fundação Florestal
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Trajano Xavier

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