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À frente do seu tempo

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Nadar na sombra de um navio-tanque de aço que pesa dezenas de milhares de toneladas é, por vezes, um comportamento arriscado — senão potencialmente fatal. Mas para os golfinhos-comuns ( Delphinus sp.), a oportunidade de surfar numa onda de proa ou brincar no rastro deixado por ela é difícil de resistir, pois oferece tanto enriquecimento ambiental como um impulso extra de velocidade.

Desde a época de Aristóteles, os cientistas admiram e intrigam-se com a velocidade, a força e a agilidade que permitem a este carismático nadador deslizar pelos oceanos do mundo com uma graça aparentemente sem esforço. Os arquitetos navais consideram os golfinhos o protótipo da natureza para velocidade e potência aerodinâmicas. Os contornos afilados de seus corpos reduzem o arrasto na água e suas nadadeiras caudais oscilantes geram um impulso eficiente e poderoso. Alguns engenheiros navais estão até mesmo experimentando como adaptar as hélices dos navios a uma tecnologia semelhante à dos golfinhos, com “folhetas ondulantes”, em um esforço para aumentar drasticamente a eficiência da propulsão.

O fotógrafo Chris Fallows capturou esta imagem na costa leste da África do Sul, onde os golfinhos-comuns são frequentemente vistos interagindo com navios que passam. Mas nem todos os indivíduos vencem o jogo de pega-pega contra seus velozes oponentes de aço. (Navios comerciais cortam as águas a velocidades médias de 37 km/h [23 mph]). Colisões acidentais são comuns em áreas de intenso tráfego marítimo, onde os golfinhos têm dificuldade em ouvir ou ver a aproximação de um navio em meio ao ruído subaquático. O aumento no número de colisões com navios nos últimos anos levou algumas organizações de conservação a defenderem limites de velocidade mais rigorosos e o redirecionamento das rotas de navegação para evitar áreas com alta concentração de mamíferos marinhos. Em condições ideais, os golfinhos conseguem antecipar a passagem de navios e se manter à frente de suas curvas acentuadas.

Foto: Chris Fallows

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Trajano Xavier

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