Beyond Meat entra no mercado de bebidas proteicas plant-based
A Beyond Meat está, literalmente, indo além da carne.
Quando Ethan Brown, fundador e CEO da companhia, falou em julho do ano passado sobre uma reconfiguração gradual da marca criada em 2009, não era apenas discurso. Na ocasião, ele sinalizou que o nome “Meat” deixaria de ser o centro da narrativa, abrindo espaço para uma valorização maior das proteínas vegetais em formatos menos convencionais.
Pouco tempo depois, a empresa californiana lançou a linha Beyond Ground, feita à base de fava e sem a proposta de imitar carne. Agora, o movimento ganha um novo capítulo: a Beyond Meat acaba de entrar no mercado de bebidas proteicas com a Beyond Immerse.
A iniciativa parte de uma leitura clara do mercado norte-americano, onde a busca por proteína cresce de forma acelerada — e não apenas no prato. A Beyond Immerse chega como uma linha de bebidas gaseificadas à base de plantas, pensadas para o público de saúde e bem-estar. Não são shakes tradicionais: cada lata de 355 ml entrega uma combinação relevante de proteína e fibras, com textura leve e refrescante.
Um porta-voz da empresa explicou o que diferencia a novidade de outras bebidas proteicas: ao substituir proteínas de origem animal por alternativas vegetais, a Beyond Meat acredita contribuir de forma positiva para quatro grandes desafios globais — saúde humana, mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e bem-estar animal.
O que tem dentro da Beyond Immerse?
A linha está disponível nos sabores pêssego com manga, limão com lima e laranja com tangerina. Cada opção pode conter 10 g ou 20 g de proteína vegetal, com valores calóricos que variam entre 60 e 100 calorias por lata.
A base da bebida combina proteína de ervilha hidrolisada com fibra de tapioca, além de pequenas quantidades de ácidos tartárico, ascórbico e cítrico, adoçantes naturais como estévia e monk fruit, e aromas naturais. Cada unidade oferece 7 g de fibra, vitamina C, antioxidantes e eletrólitos. Não há organismos geneticamente modificados nem álcoois de açúcar na formulação.
A proposta é apoiar a saúde muscular, o equilíbrio intestinal e o funcionamento do sistema imunológico — temas cada vez mais presentes nos lançamentos de alimentos e bebidas nos Estados Unidos. Essa atenção à saúde do intestino ganhou força com tendências das redes sociais, como o chamado “fibremaxxing”, e com a popularização de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.
Entre o início de 2024 e o verão de 2025, o percentual de americanos que utilizam medicamentos para perda de peso mais que dobrou, saltando de 5,8% para 12,4%. Um dos efeitos colaterais desse tipo de tratamento é a perda significativa de massa muscular — entre 25% e 40% em um período de oito a 16 meses — o que ajuda a explicar o aumento da demanda por produtos ricos em proteína.
A Beyond Immerse está sendo vendida por tempo limitado na plataforma Beyond Test Kitchen, lançada em outubro para oferecer aos consumidores acesso antecipado às inovações da marca. O kit com 12 latas da versão com 20 g de proteína custa US$ 34,95, enquanto a opção com 10 g sai por US$ 29,95.
Bebidas gaseificadas como alternativa aos shakes tradicionais
A Beyond Meat, que registrou a patente da Beyond Immerse em dezembro, descreve as bebidas como leves, refrescantes e livres da sensação pesada associada aos shakes proteicos. A aposta acompanha uma das tendências mais fortes da categoria.
Para 2026, a proteína lidera as prioridades nutricionais dos consumidores americanos: 57% afirmam que pretendem focar nesse nutriente. A forma de consumo também está se diversificando. Embora os alimentos in natura continuem centrais, produtos fortificados — especialmente bebidas — ganham espaço rapidamente.
Segundo analistas da Numerator, snacks e bebidas com adição de proteína enfrentam menos resistência em relação a preço e percepção de artificialidade quando comparados a pós proteicos. Entre 2020 e 2024, o número de bebidas com alto teor de proteína cresceu 122% no mercado. Hoje, apenas 6% dos consumidores afirmam consumir refrigerantes proteicos, mas o dobro desse percentual diz estar aberto a experimentar esse tipo de produto no futuro.
Essas bebidas utilizam proteínas mais refinadas, com partículas menores e sem gorduras ou carboidratos residuais, o que facilita a dissolução em água e resulta em líquidos mais claros, semelhantes a sucos. O processamento adicional também favorece uma digestão mais rápida e uma sensação mais leve no consumo.
Uma nova aposta em meio a um período desafiador
A Beyond Meat não está sozinha nesse movimento. Marcas como Barebells, Bucked Up, Clean Simple Eats, Applied Nutrition e PlantFusion também lançaram recentemente bebidas gaseificadas com proteína.
Hoje, o nutriente aparece em uma ampla variedade de produtos, de águas e xaropes a cereais e snacks, e ganhou ainda mais destaque com a atualização das diretrizes alimentares dos Estados Unidos divulgadas na semana passada.
Para a Beyond Meat, a nova linha surge após um dos períodos mais turbulentos de sua história. A empresa enfrentou queda contínua nas vendas, viu suas ações atingirem o menor valor histórico e lidou com reestruturação de dívidas, especulações no mercado e rumores de falência.
Ainda assim, após reportar uma retração de 13% na receita no terceiro trimestre, Ethan Brown adotou um tom confiante ao conversar com analistas, afirmando sentir “otimismo e entusiasmo genuínos” em relação ao futuro da companhia.
Após o lançamento da Beyond Immerse, um representante da marca reforçou esse posicionamento à Green Queen: o propósito da Beyond Meat, sintetizado no slogan Eat What You Love, reflete a convicção de que existem formas melhores de alimentar o futuro — e que escolhas positivas, mesmo as menores, podem gerar impactos significativos tanto na saúde das pessoas quanto na saúde do planeta.