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Starbucks lança cold foam (espuma de leite fria) vegetal na Índia em parceria com a SuperYou

Starbucks lança cold foam (espuma de leite fria) vegetal na Índia em parceria com a SuperYou
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Starbucks deu mais um passo estratégico no mercado indiano ao lançar uma novidade alinhada às mudanças no consumo de alimentos: uma cold foam enriquecida com proteína de levedura, desenvolvida em parceria com a startup local SuperYou. Depois do McDonald’s, a gigante do café reforça como as grandes marcas globais estão atentas ao crescente interesse por proteína no país mais populoso do mundo.

Embora especialistas ainda debatam se a Índia enfrenta, de fato, um déficit proteico, há um consenso claro: os indianos nunca consumiram tanta proteína quanto agora. Atenta a esse cenário, a Starbucks — que opera no país por meio de uma joint venture com o grupo Tata — levou a novidade a todas as suas cerca de 500 lojas na Índia.

O país é o primeiro fora da América do Norte a receber as cold foams proteicas da rede e, mais do que isso, o primeiro onde a solução chega já em versão não láctea. A proteína utilizada vem da SuperYou, empresa sediada em Mumbai e cofundada pelo ator de Bollywood Ranveer Singh. A marca produz um suplemento vegano a partir de levedura de cerveja biofermentada, enriquecido com probióticos voltados à saúde intestinal.

Na prática, a Starbucks Índia mistura o pó proteico ao leite frio — que pode ser de origem animal ou vegetal — e transforma tudo em uma espuma cremosa. O resultado adiciona entre 11 e 18 gramas de proteína à bebida, por um custo extra de ₹50 (cerca de US$ 0,55).

Segundo Nikunj Biyani, cofundador da SuperYou, o lançamento é fruto de um processo intenso. Foram seis meses de trocas, testes, ajustes de P&D e negociações até chegar ao produto final. Ele destacou o trabalho conjunto das equipes como fundamental para viabilizar a parceria.

Proteína como experiência, não apenas suplemento

Inicialmente, as cold foams proteicas chegam aos balcões nos sabores baunilha, chocolate e banana, cada um apresentado em bebidas criadas especialmente para mostrar a versatilidade do ingrediente. Entre as opções estão um Caramel Frappuccino com proteína de banana (11 g de proteína no tamanho tall), um cold brew com proteína de chocolate (14 g) e um iced latte com proteína de baunilha (17 g).

As versões padrão levam leite de vaca, mas o consumidor pode optar por alternativas vegetais como aveia, amêndoas ou soja, mediante acréscimo no preço. Um ponto importante: todas as opções são livres de açúcar.

De acordo com a Starbucks Índia, a proposta foi integrar sabor e funcionalidade de forma natural à rotina diária do café. Para Rutuja Shinde, da equipe de categorias da rede, não se trata apenas de um novo adicional ao cardápio, mas de uma mudança na forma como a proteína pode ser incorporada de maneira prazerosa ao consumo cotidiano.

Do ponto de vista tecnológico, a proteína da SuperYou é obtida a partir da fermentação da levedura Saccharomyces cerevisiae com melaço, em biorreatores. Após o processo, a proteína é separada, purificada e enviada às instalações da empresa na Índia. Batizado de SuperYou Pro, o produto entrega entre 24 e 27 g de proteína por porção de 36 g, contém todos os nove aminoácidos essenciais e possui PDCAAS de 1.0 — o mesmo índice de qualidade de proteínas como whey, caseína e clara de ovo. Além disso, foi formulado para melhorar absorção, digestibilidade, saúde intestinal e recuperação muscular.

Índia no centro da corrida global por proteínas

Vale lembrar que a Starbucks já havia lançado cold foams proteicas nos Estados Unidos e no Canadá no ano anterior, utilizando whey como fonte de proteína. Isso, no entanto, limitava o consumo por veganos e pessoas com intolerância à lactose, além de ir na contramão das metas climáticas da empresa.

Nesse contexto, a adoção da proteína de levedura na Índia representa um avanço relevante. Comparada aos laticínios, ela tem uma pegada ambiental significativamente menor — algo que ganha escala quando se considera o volume diário de cafés vendidos no país.

A iniciativa também chega em um momento em que o apetite indiano por proteína está em plena expansão. O mercado interno já movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão e deve crescer de forma acelerada na próxima década. Pesquisas indicam que 37% dos indianos querem aumentar o consumo de proteínas vegetais, e a preferência por fontes plant-based cresce mais rapidamente do que por proteínas de origem animal.

Segundo a Ipsos, o ecossistema de proteínas alternativas na Índia está à beira de uma transformação, impulsionado tanto pela maior conscientização sobre intolerância à lactose — que afeta cerca de 60% da população — quanto pelo desejo de uma alimentação mais rica em proteína.

Nesse cenário competitivo, a SuperYou tem planos ambiciosos: conquistar 10% do mercado nacional de proteínas ainda este ano. Para isso, disputa espaço com outras marcas de proteína de levedura, como Cosmix e Mille, além de fabricantes de proteínas vegetais como Nakpro, Origin, Plantigo e Earthful, que recentemente captou US$ 2,9 milhões.

As grandes redes de alimentação também estão se movimentando. O McDonald’s, por exemplo, lançou fatias vegetarianas à base de soja, ervilha e whey, adicionando 5 g de proteína a qualquer sanduíche por ₹25 em lojas do oeste e sul da Índia. Já o tradicional grupo Haldiram’s firmou parceria com a startup GoodDot para incluir a soya chaap — uma alternativa vegetal à carne bastante popular no país — em unidades da região da capital nacional.

Tudo indica que a proteína, especialmente a de origem vegetal, deixou de ser um nicho para se tornar peça central na estratégia de inovação do setor de alimentos e bebidas na Índia.

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Trajano Xavier

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